quarta-feira, 30 de julho de 2014

Por que olhar por partes, sem antes compreender o todo? Porque enxergar a deficiência, antes mesmo de saber mais sobre aqueles que não andam, não enxergam ou não ouvem? Porque apontar o que o outro não pode fazer, antes de perguntar o que ele tem a oferecer?
É espantoso como, nos tempos atuais as avaliações das partes, são significativas, quando na realidade o que deve ser levado em consideração é a potencialidade de cada pessoa, sua singularidade e habilidades para viver com dignidade em uma sociedade que na maioria das vezes não consegue enxergar o outro como ser humano, ao contrario, observa-se primeiro a deficiência, mas  para que isso seja mudado faz-se necessário ter sensibilidade.
O que o senhor Palomar procurou, a princípio, foi identificar as partes, construindo um modelo na mente e este era o mais perfeito, lógico, geométrico possível. Na escola, muitas vezes planejamos o impossível em busca da perfeição, mas quando nos deparamos com pessoas que necessitam de atendimentos educacionais especializados, somos convidados a vivenciar, a criar situações que favoreçam a aprendizagem com atendimentos na sala de recursos multifuncionais.
Não é desafio da escolarização, é desafio da sociedade que tem pessoas com habilidades que devem ser reconhecidas, identificadas e aprimoradas na escola e fora dela. Sou eu e você, somos nós construindo uma rede de atendimentos educacionais especializados que valorizem as pessoas como são buscando compreendê-las para ampliar suas possibilidades.
Reconhecer as deficiências é tarefa da professora de Atendimento Educacional Especializado para planejar ações pedagógicas que facilitem a aprendizagem das pessoas com deficiência de forma que contemple a especificidade de cada pessoa, pois a mesma deficiência pode apresentar-se de forma diferente nas pessoas, por isso, é tão essencial o Plano de Atendimento Educacional Especializado. Esse plano é único e flexível de sofrer alterações durante a realização dos atendimentos.

Assim como o senhor Palomar, que em determinada época pensava que poderia coincidir modelo e realidade, podemos sim, flexibilizar modelos, estratégias adotadas para que a realidade tenha significado maior, de conjunto.
Ao padronizar e homogeneizar, a sociedade deixa de lado a possibilidade de construir e reconstruir, de formar teias que complementem as necessidades que todos nós temos. Reconhecer que todos temos algo a oferecer e a partir daí construir caminhos de aprendizagem juntos é nossa missão de educar!